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Danu, a Misteriosa Deusa Mãe dos Celtas

Danu

Danu personificava a essência aquática que gerou os deuses da antiga Irlanda. Embora frequentemente considerada uma deusa mãe, os registros celtas são escassos quanto à identidade da deusa, cuidadosamente protegendo seus detalhes. Até mesmo seu nome representa uma reconstrução derivada do título do panteão.

Apesar da escassez de evidências explícitas, estudiosos têm progredido na interpretação de Danu. Ela é vista como a deusa primordial ou elementar das águas, possivelmente a progenitora de muitas divindades irlandesas. Quando os Tuatha De Dannan chegaram à Irlanda, Danu já não fazia parte de suas histórias, cumprindo seu papel vital na origem da nova linhagem divina.

Essas interpretações não são meras conjecturas. Pesquisadores lançaram seus olhares para além das fronteiras da Irlanda, explorando eras anteriores à chegada dos celtas, e encontraram indícios substanciais que arrojam luz sobre a natureza da deusa honrada pelo panteão pré-cristão irlandês.

 

A Enigmática Matriarca Divina

A maioria dos acadêmicos a enquadra  como uma deusa-mãe na mitologia celta. Os Tuatha De Dannan, os deuses primordiais da Irlanda antiga, derivam seu nome dela. Em inglês, seu nome é traduzido como “O Povo da Deusa Danu”.

Algumas versões posteriores de lendas renomadas identificam deidades específicas como seus descendentes. Brigid, por exemplo, é referida como sua filha em uma narrativa. Isso frequentemente conduz à suposição de uma ligação com o Dagda, um dos líderes iniciais dos Tuatha De Dannan, que é pai de Brigid e diversos outros deuses.

Entretanto, existem mitos que individualizam Danu como personagem. Se ela de fato foi a mãe dos Tuatha De Dannan, parece que não os acompanhou quando partiram em direção à Irlanda. De fato, em escritos antigos, seu nome não é mencionado diretamente, sendo conhecida apenas pelo genitivo, como em Tuatha De Dannan.

Paralelos diretos de Danu em outras tradições celtas são escassos. Alguns autores tentaram associá-la à figura literária galesa Don, embora o gênero de Don permaneça vago e o papel exato desse personagem seja desconhecido. Além das similaridades fonéticas com nomes como Don ou Annan, há poucas ligações contextuais entre a possível deusa-mãe das divindades irlandesas e outras tradições celtas.

Apesar da lacuna em fontes originais, certos historiadores têm oferecido interpretações sobre a identidade de Danu e o possível papel que desempenhou.

 

Origem e Influência da Deusa Danu

Ao explorar a figura da deusa, historiadores e linguistas expandem seu foco além do universo celta, abrangendo o contexto indo-europeu. A religião celta, à qual a Irlanda pertencia, estava inserida em uma ampla família que abarcava uma vasta região e período histórico. As raízes das culturas celtas remetem às culturas germânicas, traçando sua ancestralidade até a vasta tapeçaria das culturas indo-europeias.

A busca por protótipos nas antigas tradições linguísticas e religiosas, exemplificadas pelos textos védicos hindus, revela pistas intrigantes sobre a possível natureza da divindade Danu.

Os Tuatha Dé Danann como descrito em Riders of the Sidhe de John Duncan (1911). (Domínio Público)

Rastreando Origens e Paralelos Culturais

A análise transcende a Índia, evidenciando a presença difundida da deusa na Europa. O termo “danu” está intrinsicamente ligado à água, notadamente associado a rios, como o Danúbio, Don, Dnieper e Dniestr, indícios de sua influência nas regiões onde floresceram as tribos germânicas e, subsequentemente, os celtas.

A teoria sugere que a deusa mãe celta, Danu, compartilhava uma essência similar com sua contraparte védica, ambas possivelmente representando deusas primordiais das águas que desapareceram após engendrar novas linhagens divinas.

 

Duas Faces da Deusa Mãe

Essa análise sugere a existência de dois arquétipos de deusas-mães na mitologia indo-europeia. O primeiro, personificado por deusas como a grega Gaia, representa a mãe da Terra, criadora de vida no solo, englobando não apenas deidades, mas também plantas e animais.

Em contrapartida, o segundo arquétipo traz deusas primordiais das águas, responsáveis por gerar raças divinas ao invés do mundo como um todo. Na mitologia irlandesa, Danu ocupa um espaço singular, mantendo-se como a fonte primária da criação dos deuses que governaram a terra.

A análise comparativa e aprofundada desses elementos apontam para conexões profundas entre a divindade Danu e os arquétipos culturais que permearam as tradições indo-europeias, evidenciando a riqueza e complexidade das crenças que moldaram as antigas civilizações.

 

Resumindo

Resumidamente, os deuses irlandeses, conhecidos como Tuatha De Dannan, têm sua origem associada a Danu, a qual é nomeada como “O Povo da Deusa Danu”. Apesar da falta de mitos específicos sobre ela, historiadores a identificaram como uma deusa primordial da água, e evidências linguísticas e míticas sugerem um parentesco entre a Danu irlandesa e uma deusa homônima na mitologia indiana, indicando uma disseminação de arquétipos religiosos indo-europeus.

O nome Danu também se relaciona com rios europeus, reforçando sua conexão com tradições celtas e germânicas antigas. A presença simultânea de Danu na Irlanda e na Índia ilustra a disseminação e semelhanças de arquétipos divinos em culturas distantes no espaço e no tempo.

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