Ares, o deus grego da guerra, é uma das figuras mais complexas e fascinantes da mitologia grega. Enquanto outros deuses são associados à sabedoria, justiça ou beleza, Ares personifica a violência, o caos e o furor dos campos de batalha. Sua figura é frequentemente retratada como impetuosa e sedenta por conflitos, mas também carrega nuances que revelam aspectos importantes da cultura e da religiosidade grega antiga. Neste artigo, exploraremos quem era Ares, seu papel na mitologia, seu sistema de culto e algumas das passagens mais emblemáticas envolvendo esse deus.
Quem Era Ares?
Ares é filho de Zeus, o rei dos deuses, e Hera, a deusa do matrimônio e da família. Ele faz parte dos doze deuses olímpicos, mas, diferentemente de outros deuses como Atena (também associada à guerra, porém com foco na estratégia e sabedoria), Ares representa o lado brutal e sanguinário dos combates. Enquanto Atena é admirada por sua inteligência tática, Ares é temido por sua fúria incontrolável.
Na mitologia, Ares é frequentemente descrito como um deus impopular entre os gregos, que preferiam venerar Atena por sua abordagem mais equilibrada da guerra. No entanto, Ares era adorado em regiões onde a guerra era uma parte central da vida, como Esparta, cidade conhecida por seu caráter militarista.
Os Aspectos de Ares
Ares é retratado como um guerreiro forte, imponente e sempre armado. Ele carrega uma lança, um escudo e um capacete, símbolos de sua conexão com a guerra. Seu aspecto físico é frequentemente associado à juventude e à virilidade, refletindo a energia e a violência que ele personifica.
Além de ser o deus da guerra, Ares também está associado a outros aspectos, como:
- Coragem e força bruta: Ares não é um estrategista, mas sim um combatente direto e implacável.
- Conflito e discórdia: Ele personifica o caos e a destruição que a guerra traz.
- Paixão e desejo: Ares teve vários amantes, incluindo Afrodite, a deusa do amor, com quem teve filhos como Eros (o deus do amor) e Harmonia (a deusa da harmonia).
O Culto a Ares
O culto a Ares não era tão difundido quanto o de outros deuses olímpicos, mas ele tinha seguidores dedicados, especialmente em regiões militarizadas. Em Esparta, por exemplo, Ares era venerado como um modelo de guerreiro ideal. Os espartanos realizavam sacrifícios em sua honra antes das batalhas, buscando sua proteção e favor.
Alguns dos rituais e práticas associados ao culto de Ares incluíam:
- Sacrifícios de animais: Geralmente touros ou cães, animais associados à força e à lealdade.
- Festivais de guerra: Em algumas cidades, celebrações eram realizadas para honrar Ares e pedir sua bênção antes de campanhas militares.
- Templos e altares: Embora poucos templos dedicados a Ares tenham sobrevivido, sabe-se que ele tinha santuários em locais como Atenas e Esparta.
Curiosamente, Ares também era associado à justiça em alguns contextos. Em Atenas, por exemplo, havia um tribunal chamado Areópago (“Colina de Ares”), onde se acreditava que o deus havia sido julgado por matar um dos filhos de Poseidon. Esse local tornou-se um centro de julgamentos importantes na cidade.

Passagens Mitológicas Envolvendo Ares
Ares aparece em várias histórias da mitologia grega, muitas vezes como um antagonista ou uma figura problemática. Abaixo, destacamos algumas das passagens mais emblemáticas:
- Ares e Afrodite
Uma das histórias mais conhecidas envolve o romance proibido entre Ares e Afrodite, esposa de Hefesto, o deus do fogo e da metalurgia. Hefesto descobriu o caso e prendeu os amantes em uma rede invisível, expondo-os ao ridículo diante dos outros deuses. Esse mito ilustra a relação entre amor (Afrodite) e guerra (Ares), bem como as consequências da paixão desenfreada.
- Ares na Guerra de Troia
Na Ilíada, de Homero, Ares desempenha um papel ativo na Guerra de Troia, lutando ao lado dos troianos. No entanto, ele é frequentemente humilhado e ferido em batalha, mostrando que sua força bruta nem sempre é suficiente para garantir a vitória. Em uma passagem memorável, ele é ferido pela lança de Diomedes, um herói grego, e precisa fugir para o Olimpo para se recuperar.
- Ares e os Gigantes
Em uma das batalhas entre os deuses olímpicos e os gigantes (Gigantomaquia), Ares lutou ao lado de seus irmãos para defender o Olimpo. Ele demonstrou sua ferocidade ao derrotar vários gigantes, reforçando seu papel como um deus guerreiro.
- Ares e os Filhos de Poseidon
Ares matou Halirrótio, um dos filhos de Poseidon, após o jovem tentar violentar uma de suas filhas. Esse ato levou a um julgamento no Areópago, onde Ares foi absolvido. Esse mito destaca a conexão entre Ares e a justiça, bem como sua natureza protetora em relação à família.
Ares na Cultura Grega e Seu Legado
Ares era uma figura contraditória na mitologia grega. Enquanto ele personificava a violência e o caos, também representava a coragem e a força necessárias para a sobrevivência em tempos de guerra. Sua impopularidade entre os gregos reflete a valorização da estratégia e da sabedoria sobre a força bruta, mas seu culto em regiões como Esparta mostra que ele era respeitado onde a guerra era uma parte essencial da vida.
Além disso, Ares influenciou a cultura romana, onde foi assimilado como Marte, um deus mais reverenciado e associado não apenas à guerra, mas também à agricultura e à paternidade. Essa dualidade mostra como a figura de Ares evoluiu ao longo do tempo, adaptando-se às necessidades e valores de diferentes sociedades.
Conclusão
Ares, o deus grego da guerra, é uma figura complexa que personifica tanto a destruição quanto a coragem. Sua mitologia e culto revelam muito sobre como os gregos antigos viam a guerra e seus impactos na sociedade. Embora muitas vezes retratado como impetuoso e violento, Ares também tinha um lado protetor e justo, mostrando que até mesmo o deus da guerra possuía nuances que o tornavam humano em sua divindade.
Seja como um guerreiro impiedoso ou um amante apaixonado, Ares continua a fascinar e intrigar aqueles que se aventuram no rico mundo da mitologia grega.
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